segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Filosofando 2

Quanto de nós temos que dar para recebermos um pouco? Ou muito? E se nós damos, doamos, oferecemos  e nunca recebemos nada? Até quando nos doarmos? Até ficarmos sem nada? Até desaparecermos?
Peço muita paciência. Nem sempre consigo. Sou falha, admito.
Será que o seu tempo é mais importante do que o meu? O tempo cura tudo, dizem. O tempo também apaga, não se esqueça.
Ah, como eu tenho saudades! A distância nos faz ver melhor. De longe vemos o todo. De longe vemos a importância do todo. Esquecem-se os detalhes.
Mas no fim das contas, a única coisa que fica com certeza é o presente.
Eu estou aqui. E você? Onde andas?

terça-feira, 2 de novembro de 2010

HELLO ASIA - PARTE 2

Dando continuidade à nossa aventura em Xangai, outro ponto que me surpreendeu foi a culinária local que é deliciosa. Claro que não arrisquei nenhum besouro frito ou algo assim, mas os restaurantes são ótimos e os cardápios mostram as fotos dos pratos (thank god!), o que facilita muito a comunicação. Fora isso, a comida é muito barata, para se ter uma idéia, uma refeição para dois em um bom restaurante, com bebidas e sobremesa, sai por volta de 15-20 dólares!
Os templos budistas são um espetáculo a parte, lindos, com arquitetura bem tradicional e muitas esculturas. Nós ainda contamos com a sorte a nosso favor, pois conseguimos assistir um pedaço da cerimonia dos monges no templo mais tradicional de Xangai, o templo Buda de Jade (construído em 1882). Muito emocionante! Também acendemos incensos no imenso forno e passamos a mão na barriguinha da estátua do Buda, para dar sorte, fartura.
O “Bund” a noite é lindo e como já mencionei no post anterior, nós fizemos um pequeno cruzeiro pelo rio. Quando chegamos dentro do navio, não havia ninguém dentro da sala, escolhemos então uma mesa e nos sentamos. Daqui a pouco a sala começou a encher e notamos que  99% das pessoas eram turistas chineses.
Como a sala lotou, alguns turistas chineses pediram para sentar na nossa mesa, claro que dissemos que sim, e daqui a pouco aqueles que tinham sentado do nosso lado começaram a inclinar a cabeça para o nosso lado e... flash! Click! Aí ele trocaram de lugar com os amigos e mais click, flash! Eu olhava para o maridão com aquela cara de interrogação, rindo de nervoso, sem conseguir me comunicar com eles, pois ninguém falava inglês.
Uns cinco minutos, depois de termos tirado fotos com a mesa inteira, juntou ainda umas 20 pessoas ao redor da nossa mesa, e começaram a fazer um revezamento para tirar fotos. E nisso, o cruzeiro rolando, as paisagens passando e os chineses entretidos conosco. Nos sentimos como macacos no circo! A boca até começou a doer de tanto sorrir!!! Um menininho de uns 5 anos virou meu fã, tiramos uma meia dúzia de fotos juntos e até no meu cabelo ele quis pegar!
Já havíamos ouvido falar de muitos casos assim, mas imaginamos que não iria acontecer conosco. Falei até pro maridão, que se soubéssemos que iríamos virar celebridade no cruzeiro, dava até para fazer um dinheirinho com essas fotos!
Além de  tudo isso que contamos, a nossa viagem foi ainda mais especial pois encontramos alguns amigos da Alemanha por lá e matamos as saudades! E quando temos amigos no lugar que visitamos, a viagem tem tudo para ser agradável, pois acabamos indo nos melhores lugares “locais” e vivenciamos um pouco da sensação do que é realmente morar no lugar.
Se caso eu ficar uns dias sumida é porque a minha mãe está chegando para nos visitar (eehhh!) e o meu tempo vai ficar mais escasso. Mas podem deixar que de vez em quando passarei por aqui, pois não consigo ficar muito tempo longe!

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

HELLO ASIA!

A semana passada, tivemos a oportunidade de conhecer um pouco de Xangai, a  primeira cidade asiática visitada por nós! Antes de embarcar, tinha uma imagem bem diferente do que me aguardaria por lá, mas sempre achei que a viagem seria, no mínimo, interessante.
Xangai não só foi interessante, como foi surpreendente e isso no bom sentido! Alguns até ousam chamá-la de Paris do oriente, eu prefiro dizer que Xangai é a New York da Ásia.
É impressionante notar como o capitalismo chegou e tem chegado até lá, pois para quem só abriu suas portas para o mercado capitalista em 1992, Xangai é super moderna e tradicional ao mesmo tempo.
Caminhar a noite pelo Bund na beira do rio Huangpu, ou fazer um cruzeiro pelo mesmo (nós fizemos os dois) é uma experiência única. Primeiro pela iluminação, que é sem dúvida, espetacular;  segundo, pela oportunidade de observar as pessoas (e são muuuitas).
A Najing é uma rua repleta de lojas, cartazes e neons, e ser abordado por pessoas oferecendo coisas falsificadas é muito comum. Como escutamos falar que o "fake market" (mercado de coisas falsificadas) é algo que deveríamos ver, já que é considerado até cultural, nos demos a oportunidade de vivenciar isso no jardim Yu Yan, um conjunto de templos, pontes, construções do século 16 cercado por um clássico jardim chinês, com lagos de carpas e pedras esculpidas pela água. Ah, lá também tem infinitas lojinhas de souvenirs e coisas típicas.
A moça nos abordou perguntando se gostaríamos de comprar bolsas, relógio, cintos, etc. Falamos que sim, e elas nos guiou até uma viela suspeita e uma portinha de madeira quebrada. Quando olhei dentro, tinha um lance de escadas super inclinadas e bem velhas como se fosse para subir em um sótão. Confesso que nessa hora olhei para o maridão e falei: “eu não subo aí nem que a vaca tussa!” Mas aí, criei coragem, já que dizem que em Xangai não existe assaltos. Confiei e fui!
Chegando lá em cima, era um quarto pequeno, velho, lotado de turistas, com prateleiras infinitas exibindo as bolsas (uma mais linda que a outra), cintos e carteiras. Era uma gritaria, pois tudo tinha que ser negociado. Como eles quase não falam inglês, ele te mostram o preço com a calculadora. Aí se você acha caro, coloca o valor que quer pagar na calculadora, e assim vai... O que deu para perceber é que eles jogam os preços na alturas e no final, você consegue pagar de 10 a 20% do valor inicialmente pedido.
Posso dizer que foi bem interessante essa experiência e eu e o maridão nos divertimos, isso é fato! Tem gente que diz que isso tudo é porcaria e tal, mas  tem muita coisa de qualidade também, a maioria das bolsas era realmente de couro e com um ótimo acabamento. Não vale por ser falsificado, já que não ligo nem nunca liguei para marcas, mas se o produto é bom, bonito e barato, por que não?
Continua... ( e o melhor ainda está por vir).

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Blue Mountains



A ida para as Blue Mountains (que fica a uma hora e meia de Sydney de carro)  é um passeio bem interessante e quase obrigatório para quem vem para essa região, principalmente para quem é fã da natureza.
As chamadas “montanhas azuis”  são consideradas patrimônio da humanidade e suas névoas azuis, juntamente com um milhão de hectares de altas florestas, penhascos de arenito, canyons, cachoeiras e cerrado fazem dessas montanhas um lugar mágico.
Também é fascinante visitar as "Three Sisters" (Três Irmãs), que são um trio de elevações rochosas que recebem seu nome de uma lenda aborígene. Vejam foto acima.
Uma pena que no passeio que fizemos, o tempo não estava bom e tinha muita neblina, por isso não conseguimos ver as famosas formações rochosas. E como fomos de excursão, não pudemos adiar a visita, pois estava marcada com antecedência.
Mas tá aí uma excelente oportunidade para voltar para essa região! E dessa vez, com mais flexibilidade com relação ao tempo e atividades, agora que já conhecemos o principal.
Chegando num ponto chamado Scenic World (em Katoomba), há ainda três opções para explorar a floresta e seu mistérios ou simplesmente apreciar a vista:
1)    Skyway (um teleférico que fica a 270 metros de altura e que faz um percurso onde é possível avistar algumas das principais atrações, como cachoeiras e as três irmãs).
2)   Cableway (um teleférico que faz o passeio acima da floresta).
3)   Railway ( o trem mais íngreme do mundo que vai floresta abaixo).

Nós optamos pelo trem e caminhamos um pouco na floresta lá embaixo. Impressionante a variedade de árvores e plantas existentes, muito bonito!

Para maiores informações visite:

domingo, 10 de outubro de 2010

Animais Típicos Australianos

Há um parque muito legal chamado Featherdale Wildlife que fica próximo a Blacktown, um bairro de Sydney. Para aqueles que visitam Sydney e querem ter a experiência de ficar bem próximos dos animais típicos australianos, como o canguru e o coala, a visita a esse park é imperdível!

Como eu adoro animais, para mim, a oportunidade de tocar um coala e um canguru foi muito especial. Além disso, descobri que se eu fosse um animal, provavelmente seria um coala, pois eles dormem uma média de 19 horas por dia! Eu sou muito dorminhoca, adoro uma cama e confesso que passo várias horas acima da média fazendo uma das coisas que mais gosto: dormir!

Mas voltando aos animais, nesse parque os bichinhos estão acostumados ao contato direto com o homem, muitos ficam livres e interagindo com o público.

Os cangurus são os mais simpáticos, eles se misturam com as pessoas e adoram ser alimentados. Também há várias espécies de cangurus, desde os bem pequenininhos, conhecidos como wallabees, até os maiores, como o canguru-vermelho. Interessante é o fato de a fêmea poder escolher o sexo do bebê canguru. Isso ajuda no controle da população desses marsupiais.

Também é possível acariciar os coalas, mas eles, na sua grande maioria, estão dormindo. É impressionante como nada consegue incomodá-los. E eles são super fofos, dá vontade de levar uma meia dúzia pra casa! Eles se alimentam das folhas de eucalipto e por isso é sempre agradável se aproximar desse bichinhos, pois o cheiro é contagiante!

Outro animal típico é o diabo da Tasmânia. Lembram do Taz, aquele desenho com um animal que saia rodando que nem louco e era bem mal humorado? Pois é, ele ainda existe em abundância por aqui.

Por que ainda? Pois o funcionário do parque nos contou que em 30 anos eles provavelmente não vão mais existir... O diabo da Tasmânia pode pegar um câncer no rosto, que é transmissível quando eles brigam entre si e não tem cura, por isso, no parque, eles são mantidos separados, já que são super violentos e vivem brigando. Triste não?

A entrada para o parque custa 23 dólares e para maiores informações, segue a página do parque:



sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Kit Verão Com Sorte, Muita Sorte!

Já havia comentado anteriormente que achei muito estranho o fato de os australianos não usarem guarda-sol na praia, já que o sol daqui, devido ao buraco na camada de ozônio que fica bem em cima da Austrália, é literalmente de matar.
Porém, eu, como boa brasileira que sou (entenda-se consciente!),  saí  à caça do meu kit verão que incluiria: um guarda-sol e duas cadeiras de praias reclináveis. Simples não? Afinal, isso no Brasil é o básico do básico...
Surpresa foi a dificuldade de achar tais itens, principalmente as cadeiras de praia. Australiano que é australiano, vai à praia e senta o bumbum na areia, ou no máximo numa toalha. Guarda-sol então, nem pensar!
Mas eu não desisti, fui à várias lojas e fucei a Internet inteira atrás das benditas cadeiras... Só encontrava aquele tipo de cadeira que gosto de chamar de “cadeira de homem”. Aquela cadeirinha que parece de criança e a pessoa fica naquela posição com as costas retas o tempo todo. Conforto zero. E a mulherada sabe do que estou falando!
Por fim, já havia até comentado com a minha mãe se ela não poderia trazer as cadeiras quando ela viesse para cá (o que será em breve! Iupiii!).  E a mamis,  como boa mamis (entenda-se única!) disse que traria sim, sem problemas.
Mas resolvi ir à uma loja que encontrei na Internet  (fica lá em Dee Why ) para ver se encontrava a tal cadeira...  Seria a última tentativa.
Por sorte, não só consegui as cadeiras como consegui também o guarda-sol!!! A mulher da loja quase não acreditou quando ela fez a venda não só de uma, mas de duas dessa cadeiras reclináveis (com 5 posições)! Imagino ser raro isso por aqui! E tudo isso, pela “bagatela” de 170 dólares. Produto raro tem preço alto em qualquer mercado... Mas tudo por um pouco de conforto e proteção.
Saí feliz e radiante da loja pensando: “Nossa que sorte! Demorou, mas encontrei o que queria!”
Como sorte pouca é bobagem, quis comemorar a nova aquisição visitando a praia de Dee Why, já que ainda não conhecia. Cheguei lá e propus ao marido de darmos uma volta pelo calçadão para ir ver a piscina natural que eles constroem em quase todas as praias daqui.
Dei uns 10 passos e avistei uma gaivota dando um voo rasante em cima da minha cabeça e nisso, senti aquela pressão no meu cabelo... Um negócio quentinho escorrendo! Aaaaagh!
Pois é meus queridos, levar uma carimbada na cabeça enquanto se faz uma caminhada na praia de Dee Why realmente não tem preço!
E ainda escutar o marido falando que isso é sorte (como forma de consolo), é definitivamente amor!
Ser a atração das praias de Sydney quando armar meu quit verão na praia, com cadeira e guarda-sol... bom essa, depois eu conto  ;  )

domingo, 26 de setembro de 2010

DÚVIDAS SOBRE A DECISÃO DE MORAR NO EXTERIOR

Todo mundo que vai morar fora costuma passar por uma fase que eu gosto de chamar de fase dos „ses“.  

Fase essa que considero bem chatinha já que não nos acrescenta muito em termos de desenvolvimento pessoal, mas que por outro lado, nos faz entender que não podemos controlar tudo em nossa vida.
Há coisas que não dependem da gente e nós temos que estar ok com isso. Essa fase também costuma chegar depois de alguns meses fora, após aquele período em que tudo é novidade.
Mas afinal, em que consiste essa fase?
Essa é a fase da indagação: e se eu tivesse ficado no Brasil? E se eu tivesse procurado outro emprego? E se eu tivesse escolhido outro lugar/cidade/país para morar? E se eu não for feliz aqui? E se eu me arrepender? E se eu não aguentar de saudade? E se... e se... etc, etc, etc...
Apesar de saber que fase dos “ses” é meio que infrutífera e só faz a nossa ansiedade aumentar, vou confessar que sou meio fã desses questionamentos... Acho que isso vem um pouco do meu signo (peixes), pois eu adoro imaginar como seria tal situação se eu tivesse agido de tal forma e que consequências isso traria para minha vida. Ou seja, fantasio muito, adoro, e confesso que,  as vezes, é difícil voltar para o mundo real!
Sabe aquele frase do Raul “prefiro ser uma metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo...”? Pois  é, sou meio assim!
Porém, apesar de gostar de dar uma viajada,  me dou sempre um limite, tento não me entregar em exagero e me forço a voltar a pensar racionalmente, pois a verdade felizmente ou infelizmente, nesse caso,  é uma só. Quando tomamos uma decisão e agimos de acordo com ela, traçamos nosso caminho e seguimos em frente. Nós nunca teremos a certeza de que acertamos ou erramos. É como um tiro no escuro mesmo. Então de que adianta ficar remoendo?
O que é construtivo nisso tudo é saber se estamos satisfeitos ou não com a situação. Se sim, ótimo, seguimos em frente. Se não, sempre há tempo para mudar o caminho, desviar, contornar ou até retornar.
Essa é a beleza da vida. Nós não podemos controlar tudo, mas nós podemos fazer escolhas, modificar nosso caminho  e sobretudo, nós podemos mudar de opinião!
 “Eu não me envergonho de corrigir os meus erros e mudar de opinião, porque não me envergonho de raciocinar e aprender.” Alexandre Herculano

terça-feira, 21 de setembro de 2010

BRAZILIAN DAY

Há 10 anos acontece o Ritmo Brazilian Day em Sydney. Esse ano o evento aconteceu no dia 19 de setembro no Tumbalong Park, em Darling Harbour.

Foi ótimo ver a comunidade e cultura brasileiras reunidas num lindo parque, com muita alegria, simpatia e receptividade, características típicas de nós, brasileiros.

Deu para matar a saudade da culinária brasileira também. A festa estava repleta de delícias da nossa terra: pastel, feijoada, bobó de camarão, brigadeiro, manjar branco, bolo de cenoura, salgadinhos em geral, churrasco, churros, pão de queijo, guaraná, etc.

A festa também contou com bandas tocando música brasileira, teve show de samba e apresentação de capoeira.

Eu fiquei impressionada com a quantidade de brasileiros em Sydney. Todo mundo sempre comenta que a Austrália é um dos destinos preferidos dos brasileiros, mas vendo ao vivo, realmente é incrível!

Tinha também muito australiano curtindo a festa, a culinária e a música. Deu para ver que eles são literalmente fãs da cultura brasileira.

Enfim, em eventos assim, a gente aproveita para usufruir da oportunidade de sentir um pouco da nossa cultura e para não esquecer de onde viemos. Porém, apesar de ser um momento festivo e alegre, também escutamos alguns brasileiros desprezando muitos aspectos da nossa cultura.

Embora a gente não seja obrigado a gostar de tudo que é caracterizado como cultura brasileira, é importante respeitar toda a forma de manifestação desta, já que a cultura é um movimento coletivo e interesses individuais não deveriam prevalecer.

Me lembro bem de uma frase de Confúcio que escutei no curso de Direito: "A cultura está acima da diferença da condição social."

Concordo e assino embaixo.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

OS PONTOS POSITIVOS DA AUSTRÁLIA

"Inspiração vem dos outros. Motivação vem de dentro de nós."

Como vocês sabem, eu estou adorando viver aqui, mas também curti muito morar no Canadá e na Alemanha. Cada lugar é especial por determinados motivos e esse post, é dedicado aos pontos positivos daqui e que, consequentemente,  acabam por proporcionar o bem estar e a motivação necessária para ir sempre em frente.

Segue  o link da matéria que escrevi para o site Austrália Brasileira sobre os motivos para escolher a Austrália como destino para morar, para estudar ou para viajar:


Espero que gostem!

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

NEM TUDO SÃO FLORES

Uma amiga (irmã de coração) está tendo, pela primeira vez, a oportunidade de viver fora do Brasil por um longo período. Experiência essa que ela sempre desejou e lutou muito para conseguir. E ela, finalmente, alcançou seu objetivo por mérito próprio e com muito merecimento!

Mas onde é que estou querendo chegar com esse assunto?

É que recentemente nós tivemos um ótimo papo e pudemos dividir experiências, que antes nos eram mais limitadas, já que há coisas que somente podemos compreender completamente, quando somos colocados na mesma situação.

Falamos da solidão que se sente quando vivemos no exterior, principalmente nos primeiros meses. É incrível como nos sentimos sós, mesmo estando rodeados de pessoas. Eu já passei por isso três vezes, e mesmo com tais experiências, nunca deixei de sentir esse mesmo efeito, esse mesmo conflito de sentimentos, essa mesma solidão.

Porém a vantagem em já ter vivido isso algumas vezes, é saber que esse sentimento muda, passa, só variando o tempo que demora essa mudança, já que isso depende de cada circunstância e de cada pessoa.

Por isso vou dividir com vocês alguns conselhos ou simples observações que notei ao longo de minha caminhada. Tudo isso com o intuito de ajudar outras pessoas que estejam ou estarão algum dia vivendo uma situação parecida.

Primeiramente, os amigos dificilmente virão até você. Então, coloque o chapéu da humildade e vá atrás mesmo! No começo é assim, use seus contatos e suas ferramentas para ir descobrindo pessoas com quem você poderia ter afinidades. Se achar que não está havendo empatia no começo, não desista, uma hora você vai encontrar alguém especial, e que fará toda essa busca valer a pena! E tenho certeza de que você vai se surpreender e encontrará mais de uma pessoa que acabará fazendo a diferença na sua vida.

Segundo conselho, uma vez "enturmado", não espere se tornar melhor amigo de alguém de uma hora para outra. Não é assim no Brasil, porque seria diferente no exterior? Amizade exige tempo, dedicação, para que se consiga chegar a um estágio que gosto de me referir como "conforto". Sabe quando você conhece as pessoas, mas ainda não se sente 100% a vontade para ser você mesmo? Você fica pensando o que dizer antes de dizer, para saber se tal comentário é apropriado, se as pessoas estão gostando de você, etc. Pois é, isso é super normal e esse estágio também passa... Com o tempo, você vai poder dizer suas abobrinhas sem medo de ser feliz e sem medo de ser julgada ou perder a amizade! Você vai sim se sentir confortável com as pessoas!

Só para vocês terem uma idéia, agora é que estou me sentindo nessa fase de "conforto",  ou seja, depois de cinco meses de Austrália. Então, realmente não é da noite para o dia e é normal demorar mais ou menos do que isso. Já diz o sábio ditado: cada caso é um caso!

Por outro lado, na Alemanha eu me lembro de ter superado essa fase mais rapidamente, mas eram outras circunstâncias, um caso especial de um grupo que acolhia e que continua acolhendo com muito carinho os recém-chegados. Caso raro mesmo! Trago muito do meu lado prestativo e acolhedor desse tempo...

Terceiro, quando for se abrir com alguém sobre esse assunto, escolha direitinho com quem falar, senão você vai acabar escutando aquelas coisas típicas e desagradáveis: “ué, mas isso não era seu sonho? Tá reclamando porque? Você que quis morar fora, agora aguenta. Tá ruim aí, volta pra cá! Falei pra você não ir! Você não vai encontrar amigos melhores aí.”

Isso acontece com mais frequência do que imaginamos... Tais comentários vem de pessoas que, na minha opinião, são ainda um pouco pobres de espírito e dão opinião onde não tem condição, por pura falta de conhecimento. Além do que, nem tudo são flores. Isso é assim em qualquer situação da vida... We all should know better...

Mas não desanimem!

No fim das contas, sabe qual o lado bom dessa experiência, às vezes longa, às vezes sofrida?

Crescimento!!! Muito crescimento!!!

E sabem o que mais?

Amigos pra vida toda, amigos sem preconceito de cor, nacionalidade, origem,classe social, religião, idade... Amigos que você conquistou, apesar das dificuldades, das diferenças. Amigos que se apreciam pelas diferenças!

E ainda tem ainda mais...

Nos tornamos mais solidários com outras pessoas recém-chegadas. Aprendemos a estender a mão para essas pessoas porque alguém também já estendeu a mão para a gente e percebemos o quanto isso foi importante na nossa adaptação.

Enfim, adquirimos um nível de valorização das pessoas muito maior do aquele que costumávamos ter. Em outras palavras, passamos a dar um valor muito maior às pessoas que amamos. E esse ponto, tenho certeza, é unânime! Não é?

"A melhor maneira de amar de novo a pátria é afastar-se dela por algum tempo." (Nicolai Lesskov)