sexta-feira, 1 de junho de 2012

O Lado Ruim da Austrália


Pensei muito sobre se deveria escrever sobre este assunto, se deveria abordar tal tema de acordo com a minha experiência. Se uma experiência seria o suficiente para me dar base para tratar de um assunto tão delicado. Se duas experiências seriam suficientes, se três, e por isso fui protelando tocar neste assunto, na esperança de que eu estivesse errada, de que tudo não passasse de má sorte...

Mas depois de muitas experiências, acredito ter base suficiente para retratar a triste realidade do sistema de saúde australiano. Sempre considerei o blog como sendo de utilidade pública, ou seja, criei o blog com o intuito de ajudar as pessoas que estão vindo pra cá, ou almejam vir, ou mesmo que querem conhecer um pouco da vida fora do Brasil.

Corrijam-me se estiver errada, mas acredito que nunca falei mal da Austrália no blog. Eu amo viver aqui, como deve estar implícito ou explícito em todo o blog.

Mas, como para tudo se tem uma primeira vez na vida, vamos denunciar/elucidar/protestar/aflorar esse assunto tão importante.

Quando eu vim para cá eu não tinha a menor ideia que a parte da saúde deixaria tanto a desejar. Estou vivendo aqui a mais de dois anos e desde o início, eu já notei muita diferença com relação ao que estava acostumada (Brasil, Canadá, Alemanha).

Infelizmente tive que adquirir toda a informação do sistema por experiência pessoal (o que não desejo pra ninguém). Também não vou conseguir esgotar o assunto ou contar todas as experiências que tive aqui, senão um livro não seria suficiente.

Mas posso dar uma boa ideia da situação.

Primeiramente, para esclarecer um pouco o sistema, todo cidadão australiano ou residente permanente tem direito ao sistema de saúde publico australiano: o Medicare.

Esse sistema dá direito a todo o tratamento médico do paciente (tanto em hospital quanto fora dele), seria tipo um SUS melhorado. A diferença é que a pessoa pode ter despesas extras de acordo com o tratamento/consulta/hospital.

Até aí tudo bem, o sistema no papel, a princípio, não tem nada de ruim, e muitas vezes funciona bem. O problema maior diz respeito à competência médica, à acessibilidade a alguns serviços, à burocracia envolvida nos hospitais e à generalidade de como tudo é tratado.

Quando alguém fica doente na Austrália, se tem duas opções: ou se vai a um GP (clínico geral) ou se vai a um hospital (casos mais graves). Não existe ir a um especialista direto. É obrigatório passar por um GP primeiro para, se necessário, ser encaminhado (com uma cartinha explicando a situação) para um especialista.

Isso também seria ok, mas aí é que começa o problema.

Não existem médicos especialistas suficientes na Austrália. Simples assim.

Então o que acontece é que embora a pessoa esteja munida da cartinha de recomendação do GP (Referal), para se conseguir uma consulta com especialista aqui se leva uma eternidade. Na área de pediatria então (que é a minha maior base de conhecimento), é desesperador. Dependendo da especialidade, pode demorar mais de um ano, sendo que o normal é uma espera de seis meses!

Se o caso for mais grave, o jeito é ir para o hospital, e lá ter a esperança de ser internado para ser atendido por um especialista.

Aconteceu com a minha filha. 

O GP da minha filha aqui e a alergista dela do Brasil (sim! Tive que leva-la a um especialista no Brasil, senão a consulta aqui demoraria 6 meses!) acreditaram que seria importante ela ser acompanhada por especialistas na Austrália e por isso, quando tivemos algumas complicações, não me restou outra alternativa a não ser levá-la a um hospital infantil (um dos três únicos da Austrália).

Lá, depois de sermos atendidos por dois residentes, e um clínico geral (pasmem, não havia pediatra na emergência de um dos únicos hospitais infantis da Austrália!), e depois de 12 horas de espera com uma bebê de sete meses, eles resolveram interná-la para que ela fosse vista pelos especialistas e assim, conseguisse “entrar” no sistema.

Tenho que fazer um adendo agora. Médico de pronto-socorro atende o paciente e depois tem que ir fazer trabalho administrativo, escrever cartinha detalhada sobre a condição do paciente. Para vocês terem uma ideia, leva-se 15 minutos para a consulta e meia hora para escrever a cartinha, enquanto isso, a fila de pacientes e o tempo de espera só aumentam.

Chamo isso de burocracia burra (me perdoem o palavreado), mas alocar mão de obra qualificada e necessária para escrever cartinha ao invés de dar atendimento médico a quem precisa, é o fim dos tempos. Além disso, os médicos da emergência geralmente não tem autonomia para tomar nenhuma providência, então fica um tal de pega o histórico do paciente, vai discutir com o médico superior, aí vem o médico superior, você dá o histórico novamente, este médico vai discutir com outro, conclusão, depois do terceiro médico, a sua vontade é falar que está tudo bem, obrigada, ir embora e morrer em casa.

Ficamos 5 dias internados. Nos primeiros 3 dias nada aconteceu. Vocês devem estar se perguntando: “como assim nada?”.

Pois é, NADA. NADA. NADA.

Nenhuma visita médica (a não ser o pediatra uma vez ao dia dizendo em 30 segundos que o especialista ia aparecer alguma hora), nenhum exame, nenhuma medicação, enfim, nada. Foi como estar num SPA de péssima qualidade.

No terceiro dia, a coisa só começou a acontecer, porque eu tive que ir atrás dos direitos da minha filha, fiz algumas ameaças, dei um showzinho, foi aí que apareceu um médico, até dois.

Conclusão, depois de 5 dias, não fizeram nenhum exame mais minucioso, não me deram nenhum diagnóstico (a não ser o que ela já tinha desde que nasceu), ainda me informaram que 1 em cada 3 pacientes saem do hospital sem diagnóstico (como se isso fosse a coisa mais linda do mundo).

O casal com uma filha que ficou ao meu lado teve diferentes diagnósticos: sugeriram desde transplante de fígado, , a doença genética raríssima, disseram que a criança não tinha nada, eles foram liberados para ir embora duas vezes e a ambas as vezes foram buscados no corredor de saída, pois novos exames chegaram apontando coisas mais graves. Fomos embora e eles continuavam lá, sem previsão de saída e traumatizados.

Mas voltando ao ponto principal, lá em cima no texto eu citei quatro pontos importantes na problemática do sistema de saúde aqui.

A competência médica que é coisa rara. Se você tiver dor de garganta, gripe, resfriado ou dor de barriga, você vai achar os médicos da Austrália ótimos, caso seja uma coisinha mais complicada, você provavelmente vai bater na porta de muitos até ficar satisfeito (e reze para não precisar de especialista PORQUE NÃO TEM!). Resumindo: diagnóstico fácil é tranquilo. Para o restante, recomendo marcar consulta no Brasil... Ou em Portugal, na África, no Afeganistão, na Alemanha, etc... E sim, com certeza há exceções, devem existir médicos fantásticos aqui, mas eu, infelizmente, ainda não os encontrei...

A falta de acessibilidade aos serviços médicos simplesmente existe pela falta de médicos. Então às vezes é preciso implorar para entrar numa lista de espera, e mesmo assim não ter sucesso.

A burocracia dos hospitais: é médico fazendo serviço administrativo, é médico não fazendo seu serviço, é um tal de cada um vê uma coisa isolada e ninguém junta o quebra-cabeça (falta de colaboração entre especialidades), aí a pessoa passa muito mais tempo ocupando um leito, gastando dinheiro público, atrasando o funcionamento de tudo. Fora o medo de se comprometer e levar processo. Então, sem estatísticas oficiais, só observando, chuto que uns 70% dos diagnósticos hospitalares ou clínicos são de viroses! Porque quando não se sabe o que está acontecendo fica fácil jogar a culpa num vírus. E não esperem que se diga qual o vírus, pois aí já é estar pedindo demais. E com o diagnóstico de virose,  os médicos se isentam de responsabilidade e da obrigação de ter que fazer qualquer investigação mais minuciosa. Vírus é, no fim das contas, um ser muito amado por aqui.

O último ponto que eu citei: a generalidade (esse é de matar!). Como já expliquei, todo mundo é tratado por clínico geral (GP), então tudo é normal, tudo vai passar, fique tranquilo que isso é muito raro, não é o seu caso... Tudo para não ter que te encaminhar para especialista, porque afinal de contas, NÃO TEM especialista suficiente aqui.

Enfim, sei que vai ter gente que acha o sistema daqui lindo e funcional, então tudo o que escrevi aqui tem como base a MINHA experiência e a experiência de amigos que vivem aqui. Não estou pregando a minha verdade e sim dividindo a minha experiência, pois se eu tivesse intenção de vir pra cá, eu ia querer saber sobre esse outro lado da Austrália.

Na minha opinião, se a Austrália possui um defeito, o defeito é o sistema de saúde. O resto, graças a Deus, é bom.

Mas se você tem problema de saúde grave ou filhos que necessitam de cuidados maiores, eu refletiria bastante antes de embarcar nessa aventura que é morar aqui.

Não digo para não vir, pois eu estou e vou continuar aqui (no meu caso, acredito não haver necessidade de mudança agora, minha filha não tem nada de muito grave), mas aí é que entra a individualidade de cada um. Cada caso é um caso.

Então, fica aí a minha colaboração, honesta e escarrada. E bem, mas BEM resumida.

“Felicidade é boa saúde e má memória.” Ingrid Bergman

quarta-feira, 30 de maio de 2012


Estamos com mais de 19.000 visitas! Mais um motivo para voltar a publicar...

Minha baby tem me mantido bem ocupada, mas acho que agora que está tudo um pouco mais sob controle, vou poder voltar aqui de vez em quando.

O próximo tema será bombástico, aguardem!

Prometo que volto logo! Valeu a audiência! Ah, e obrigada pelos emails que recebo! Eu demoro, mas respondo!

"A verdadeira afeição na longa ausência se prova." Camões

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Férias no Brasil

Depois de longos (mas deliciosos) dois anos de Austrália, voltei ao Brasil de férias e com uma bebê a tiracolo! Cá entre nós, viajar com bebê não é nada fácil, os preparativos já começam uns 10 dias antes. No dia da viagem eu já estava exausta e realmente precisando de férias!!!


A viagem em si foi bem cansativa, como é de se esperar. Optamos pela rota Sydney - Dubai - São Paulo com a companhia Emirates, que é excelente, por sinal. São dois vôos de 14 horas cada, mas fizemos uma parada em Dubai na ida e na volta, assim a viagem foi mais tranquila. 


No Brasil foi tudo ótimo e muito gostoso (como sempre é). Agora com a bebê foi uma alegria só para a família e os amigos. A Julia foi ótima também, não estranhou ninguém e para os seus seis meses, curtiu muito a viagem e todos os mimos!


Balanço da viagem:


- O Brasil continua lindo, receptivo, amável.
- O Brasil continua violento, corrupto e burocrático. Ah, e caro, sempre mais caro!!
- O tempo é curto, nunca dá para fazer tudo o que queremos ou ver todos que desejamos.
- Trouxemos uns kilos a mais ( já é praxe), a culinária continua irresistível.
- O trânsito consegue estar pior e não entendo como isso é possível...
- Com uma criança os papeis mudam, as pessoas surpreendem, tudo fica mais harmonioso, embora sempre haja um ou outro aborrecimento.
- A despedida é sempre difícil, embora agora com a Julia a gente não fique mais tão triste, parece que a nossa família é mais completa com ela agora. Agora para a família que fica, ver a neta - sobrinha ir embora é mais difícil agora do que quando era só a gente.
- Volto com a certeza de que quero continuar morando na Austrália, pelo menos por agora...


"Você pode dizer adeus a sua família e a seus amigos e afastar-se milhas e milhas e, ao mesmo tempo, carregá-los em seu coração, em sua mente, em seu estômago, pois você não apenas vive no mundo, mas o mundo vive em você."
                                                                                                                Frederick Buechner

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

É a Cara da Austrália – Comidas Típicas

Desde que me mudei para a Austrália, tenho explorado muito esse tema, pois eu adoro experimentar coisas novas, diferentes, sabores exóticos e coisas típicas de cada lugar que visito...

Notei também que vários dos pratos que eles dizem ser tipicamente australianos, na verdade, tem origem britânica (lembrando que a Austrália foi colônia da Inglaterra). 

Como exemplo, temos o caso do famoso  fish and chips (peixe empanado com batatas fritas) e dos scones (um pãozinho meio doce).

Quem quiser arriscar o fish and chips australiano, vá ao restaurante Doyles (http://www.doyles.com.au/ ). É delicioso!   

Já no quesito comidas tradicionais, encontramos algumas excentricidades aussies. 

Como exemplos temos o hambúrguer australiano que traz uma fatia de beterraba no meio... Às vezes também uma de abacaxi.

But I am sorry, esse complemento não caiu no meu gosto...

O churrasco aqui, conhecido como “Barbie” (vem de "barbecue", churrasco em inglês), é feito com carnes e salsichas e geralmente são comidos com pão de forma... É...Esquisito...

Mas vamos falar agora do que é realmente australiano!

O Vegemite é uma invenção tipicamente australiana e se constitui de  uma pasta de levedura de cerveja (eu já até comentei aqui). Ela é bem salgada e geralmente não cai muito no gosto dos brasileiros. 

Eu, por exemplo, acho abominável! Não suporto nem o cheiro! Mas tem gosto pra tudo. 

Com certeza minha filha vai adorar,  já que eles servem nas escolinhas. E eu vou ter que comprar no supermercado, já estou até vendo...

Tem também as meat pies (tortinhas de carne) que os australianos adoram... O formato lembra a nossa empada. 

O Harry’s  é um dos melhores lugares para se comer a tortinhas e tem de vários sabores, não só de carne. Segue o site para os interessados: http://www.harryscafedewheels.com.au/Home.aspx?element=1&category=1

Na parte de sobremesas (humm, a minha favorita!) tem o caramel slice (tem a receita aqui), tem o sticky date pudding que é um bolo gelado de tâmaras com molho de caramelo (é muito bom, mas também é muito calórico), tem o pavlova (uma espécie de merengue com frutas variadas). Todas muito boas!

O Tim Tam é um biscoito coberto com chocolate que é viciante... Já estou na Austrália há mais de um ano e meio e ainda não me livrei desse “problema”...  Tem vário tipos: o tradicional, com cobertura dupla, branco, meio amargo, com caramelo, etc... O que eu mais gosto é o de cobertura dupla de chocolate ao leite (“double coat”).

A carne de canguru é bem macia (se bem preparada) e saudável, já que quase não tem gordura. Mas ela não faz parte da lista de compras do australiano, como muitos pensam.

Aqui  também se come bastante frutos do mar e peixes. Também não é para menos, a Austrália tem 11 milhões de quilômetros quadrados de zona para pescaria e é portanto, é a maior zona pesqueira do mundo! 

O Barramundi é um peixe ícone na Austrália e please,  podem pedir sem dó que não tem erro, é muito bom!

Ai ai, esse post me deu uma fome...

Bom, para terminar, cito Millôr Fernandes: “Gastronomia é comer olhando para o céu”.

E vejam lá um TIM TAM olhando para mim!

 P.S: Ah, eu sei que sumi, não morri não, continuo vivinha, só virei mãe e vida de mãe é corrida, como vocês sabem! Mas voltarei mais vezes, prometo!

sábado, 8 de outubro de 2011

Com a Palavra...


Hoje, para falar do nascimento da nossa pequena, vou dar a palavra ao meu maridão que escreveu esse texto lindo para nossos amigos e familiares. 

E eu não poderia expressar esse momento que vivemos de maneira melhor...

"Sydney Adventist Hospital, Austrália: 15 de Setembro de 2011, 4:37 pm (EST)

Recebi vários conselhos, li textos e teorias a respeito, escutei diversos palpites; no entanto nada poderia ter me preparado para o turbilhão de emoções que me atropelaram naquele momento: amor, fé, medo, angústia, carinho, piedade, compaixão, força, ternura, coragem, preparo, ansiedade, responsabilidade, saudade, nostalgia, felicidade... e a lista certamente não para por aí.

Hoje, passados alguns dias ainda gaguejo, a garganta seca e trava, o coração aperta, os olhos lacrimejam apenas de pensar naquele momento tão luminoso. Uma fusão de lembranças e experiências de infância, estranhamente ligados naquela nova vida que ali nascia, bem diante dos meus olhos. De repente um enorme sentimento de orgulho tomou conta de mim. Havia me tornado o mundo daquele serzinho que ainda nem se dava conta de que veio ao mundo. Estava sonhando acordado, vulnerável e acessível, tomado por um sentimento especial, de amor incondicional, que palavras simplesmente não podem descrever. 

Imagino que a maioria já está sabendo da novidade... vantagens da "realidade virtual" na qual (sobre)vivemos hoje! 

Fato é que ainda não havia me manifestado a respeito e gostaria de agradecer a todos pelas mensagens e o enorme carinho demonstrado, além de compartilhar com todos vocês um pouco dessa minha alegria. Espero que contagie ;-)

NB: Disse acima que não há palavras que possam descrever o que estou sentindo... verdade. 

Esse sentimento, no entanto, tem nome e sobrenome: Julia  

Beijos saudosos a todos,"

Julia, seja bem vinda ao mundo! Papai e mamãe estão muito felizes com a sua chegada!

sábado, 3 de setembro de 2011

O último post antes de uma nova vida começar...

Treze anos juntos com o maridão foram necessários até que eu decidisse que queria ser mãe... Treze anos de muita curtição, muitas viagens, muitas aventuras, quatro países, muitos amigos, muita batalha, infinitas saudades...

Difícil imaginar que um dia eu estaria a fim de abrir mão desse estilo de vida e por sinal, de muito bom grado, afinal eu era o império do egoísmo, só precisava pensar em mim mesma e podia escolher fazer o que quisesse.

Mas, enfim, o tal dia chegou, devagarinho, consumindo cada pensamento meu, me fazendo acreditar que estava pronta para ser responsável por uma outra vida, que estava pronta para amar outra pessoa mais que tudo, que estava louca para exercitar o amor incondicional e me doar de corpo e alma à esse trabalho...

Que fique claro também que não vim aqui dar uma de Pollyanna, sei que não é nem será uma jornada fácil, percebo isso desde o início da gravidez, mas percebo também o quanto vale e tem valido a pena...Estou muito mais feliz desde que o teste deu positivo, mesmo tendo tido muito mais preocupações e limitações físicas.

O que mais me alegra esses dias é ficar tranquila acariciando a barriga, conversando com a minha pequena, contar para o pai dela sobre seus avanços, se estava mais quieta, se estava tão impossível que não me deixou dormir, se soluçou, se consegui sentir a mãozinha dela... Tudo isso mesmo achando a gravidez uma prova de fogo, pois tive quase todos os sintomas desagradáveis possíveis.

Brinco com minhas amigas dizendo que bom mesmo era encomendar o bebê para a cegonha marcando dia e hora para entregar! Mas quer saber? No fim das contas, eu faria tudo de novo... Todas as mães dizem que as partes difíceis a gente acaba esquecendo e acho que é bem verdade... O que fica é a parte boa e essa é imperdível!

E em alguns dias, a Ju vai finalmente chegar e vou conhecê-la ao vivo e a cores. Muitos dizem que minha liberdade vai acabar. Eu entendo bem isso, aceito e concordo. A vida realmente nunca mais vai ser a mesma, não vou ter mais o mesmo controle sobre as coisas...

Mas também tem uma frase que eu gosto que encaixa bem nesse momento que estou vivendo: "liberdade é ter alguém para se prender".

Então quem poderia um dia imaginar que eu estaria louca para ficar presa pelo resto da vida!?

Nem eu...

Ironia: algumas coisas só se descobrem depois que as vivemos...

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

É a Cara da Austrália – Música


A partir de agora, vou começar a escrever aqui  uma série de posts chamados: “É a cara da Austrália”.

Nessa série,  vou abordar vários pontos para tentar simbolizar tudo que é característico e cultural no país e o primeiro post da série vai ser sobre música, tema que estou querendo escrever já há algum tempo.

Desde que me mudei para Sydney, há mais ou menos um ano e meio, tenho observado bastante o estilo musical da Austrália. 

Eu acredito que a música é uma parte super importante na cultura de um país e evidencia muito o estilo de vida das pessoas. Aqui é possível identificar isso muito claramente.

É claro que cada australiano tem seu gosto pessoal, mas é possível ter uma boa idéia do que se toca por aqui através das rádios, televisão e até nas próprias baladas.

Obviamente que na Austrália também tocam todos os hits do momento, e nesse caso,  é mais ou menos a mesma coisa que toca no Brasil. Mas quero enfatizar nesse post os famosos “clássicos australianos”.

Logo que vim para cá, lembrei  muito da minha adolescência, pois aqui toca muito tudo o que eu escutava naquela época, ou seja, toca bastante o que chamamos de “surf music”. E como aqui tem muita praia, tem também muito surfista, como vocês devem imaginar. Surfe aqui é que nem futebol no Brasil, a criançada aprende desde pequeno.

Abaixo, compartilho alguns clássicos que tocam com frequência por aqui, lembrando que não dá para colocar tudo, então as músicas selecionadas são apenas exemplificativas do estilo australiano. 

E sim, a maioria delas são antigas, mas elas tocam nas rádios daqui até hoje, e com frequência.

Aumente o volume e curta o astral! Esses sons são a cara da Austrália!




quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Custo de Vida na Europa - Uma Comparação

Vou postar aqui o texto de uma outra blogueira: Adriana Setti que achei muito interessante. O texto aborda o custo de vida na Europa versus o custo de vida no Brasil.  A Adriana aborda somente a classe média europeia e a classe média alta brasileira, mas mesmo assim, a leitura tem alguns insights bem verdadeiros. Note-se que não recrimino o jeito que cada um leva sua vida, pelo contrário, acho que cada um está no direito de escolher e usufruir do estilo de vida que quiser, principalmente se estiver feliz, mas a comparação não deixa de ser interessante. Posso, inclusive,  relacionar a situação a alguns conhecidos no Brasil, que no fundo, estão ou insatisfeitos ou infelizes, pois tem a pressão de manter esse estilo de vida acima de tudo (família, amigos, qualidade de vida, saúde, etc).  Bom, resumindo, o texto me fez refletir a respeito e posso confirmar que a vida na Europa é assim mesmo...


"No ano passado, meus pais (profissionais ultra-bem-sucedidos que decidiram reduzir o ritmo em tempo de aproveitar a vida com alegria e saúde) tomaram uma decisão surpreendente para um casal – muito enxuto, diga-se – de mais de 60 anos: alugaram o apartamento em um bairro nobre de São Paulo a um parente, enfiaram algumas peças de roupa na mala e embarcaram para Barcelona, onde meu irmão e eu moramos, para uma espécie de ano sabático.

Aqui na capital catalã, os dois alugaram um apartamento agradabilíssimo no bairro modernista do Eixample (mas com um terço do tamanho e um vigésimo do conforto do de São Paulo), com direito a limpeza de apenas algumas horas, uma vez por semana. Como nunca cozinharam para si mesmos, saíam todos os dias para almoçar e/ou jantar. Com tempo de sobra, devoraram o calendário cultural da cidade: shows, peças de teatro, cinema e ópera quase diariamente. Também viajaram um pouco pela Espanha e a Europa. E tudo isso, muitas vezes, na companhia de filhos, genro, nora e amigos, a quem proporcionaram incontáveis jantares regados a vinhos.

Com o passar de alguns meses, meus pais fizeram uma constatação que beirava o inacreditável: estavam gastando muito menos mensalmente para viver aqui do que gastavam no Brasil. Sendo que em São Paulo saíam para comer fora ou para algum programa cultural só de vez em quando (por causa do trânsito, dos problemas de segurança, etc), moravam em apartamento próprio e quase nunca viajavam.

Milagre? Não. O que acontece é que, ao contrário do que fazem a maioria dos pais, eles resolveram experimentar o modelo de vida dos filhos em benefício próprio. “Quero uma vida mais simples como a sua”, me disse um dia a minha mãe. Isso, nesse caso, significou deixar de lado o altíssimo padrão de vida de classe média alta paulistana para adotar, como “estagiários”, o padrão de vida – mais austero e justo – da classe média europeia, da qual eu e meu irmão fazemos parte hoje em dia (eu há dez anos e ele, quatro). O dinheiro que “sobrou” aplicaram em coisas prazerosas e gratificantes.

Do outro lado do Atlântico, a coisa é bem diferente. A classe média europeia não está acostumada com a moleza. Toda pessoa normal que se preze esfria a barriga no tanque e a esquenta no fogão, caminha até a padaria para comprar o seu próprio pão e enche o tanque de gasolina com as próprias mãos. É o preço que se paga por conviver com algo totalmente desconhecido no nosso país: a ausência do absurdo abismo social e, portanto, da mão de obra barata e disponível para qualquer necessidade do dia a dia.

Traduzindo essa teoria na experiência vivida por meus pais, eles reaprenderam (uma vez que nenhum deles vem de família rica, muito pelo contrário) a dar uma limpada na casa nos intervalos do dia da faxina, a usar o transporte público e as próprias pernas, a lavar a própria roupa, a não ter carro (e manobrista, e garagem, e seguro), enfim, a levar uma vida mais “sustentável”. Não doeu nada.

Uma vez de volta ao Brasil, eles simplificaram a estrutura que os cercava, cortaram uma lista enorme de itens supérfluos, reduziram assim os custos fixos e, mais leves, tornaram-se mais portáteis (este ano, por exemplo, passaram mais três meses por aqui, num apê ainda mais simples).

Por que estou contando isso a vocês? Porque o resultado desse experimento quase científico feito pelos pais é a prova concreta de uma teoria que defendo em muitas conversas com amigos brasileiros: o nababesco padrão de vida almejado por parte da classe média alta brasileira (que um europeu relutaria em adotar até por uma questão de princípios) acaba gerando stress, amarras e muita complicação como efeitos colaterais. E isso sem falar na questão moral e social da coisa.

Babás, empregadas, carro extra em São Paulo para o dia do rodízio (essa é de lascar!), casa na praia, móveis caríssimos e roupas de marca podem ser o sonho de qualquer um, claro (não é o meu, mas quem sou eu para discutir?). Só que, mesmo em quem se delicia com essas coisas, a obrigação auto-imposta de manter tudo isso – e administrar essa estrutura que acaba se tornando cada vez maior e complexa – acaba fazendo com que o conforto se transforme em escravidão sem que a “vítima” se dê conta disso. E tem muita gente que aceita qualquer contingência num emprego malfadado, apenas para não perder as mordomias da vida.

Alguns amigos paulistanos não se conformam com a quantidade de viagens que faço por ano (no último ano foram quatro meses – graças também, é claro, à minha vida de freelancer). “Você está milionária?”, me perguntam eles, que têm sofás (em L, óbvio) comprados na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, TV LED último modelo e o carro do ano (enquanto mal têm tempo de usufruir tudo isso, de tanto que ralam para manter o padrão).

É muito mais simples do que parece. Limpo o meu próprio banheiro, não estou nem aí para roupas de marca e tenho algumas manchas no meu sofá baratex. Antes isso do que a escravidão de um padrão de vida que não traz felicidade. Ou, pelo menos, não a minha. Essa foi a maior lição que aprendi com os europeus — que viajam mais do que ninguém, são mestres na arte do savoir vivre e sabem muito bem como pilotar um fogão e uma vassoura.

PS: Não estou pregando a morte das empregadas domésticas – que precisam do emprego no Brasil –, a queima dos sofás em L e nem achando que o “modelo frugal europeu” funciona para todo mundo como receita de felicidade. Antes que alguém me acuse de tomar o comportamento de uma parcela da classe média alta paulistana como uma generalização sobre a sociedade brasileira, digo logo que, sim, esse texto se aplica ao pé da letra para um público bem específico. Também entendo perfeitamente que a vida não é tão “boa” para todos no Brasil, e que o “problema” que levanto aqui pode até soar ridículo para alguns – por ser menor. Minha intenção, com esse texto, é apenas tentar mostrar que a vida sempre pode ser menos complicada e mais racional do que imaginam as elites mal-acostumadas no Brasil."

terça-feira, 12 de julho de 2011

Amor ou Ódio?

De vez em quando me deparo com alguns comentários na internet dizendo coisas assim: já que os brasileiros decidiram viver no exterior (e, portanto, assume-se que eles odeiam o Brasil), porque eles vão a todos os eventos brasileiros que aparecem?

Caros, nesses sete anos em que vivo fora do Brasil, posso afirmar que conheci bastante brasileiro que vive no exterior, e posso afirmar também, sem dúvida nenhuma, de que nunca conheci nenhum brasileiro que “odiasse” o Brasil...

Existe sim, uma insatisfação com relação a determinados pontos, cada um tem o seu motivo,  a gente fala mal daqui, tanto quanto vocês falam daí, mas nós também falamos muito bem do Brasil, mais até do que quando morávamos aí, pois passamos a dar valor a muitas coisas que antes passavam despercebidas.

E ódio mesmo, nunca presenciei. Pelo contrário, a maioria sempre fala do Brasil com carinho.

Algumas pessoas, no entanto,  assumem que pelo fato de optarmos em viver em outro país, isso significa que não gostamos do nosso país de origem...

Posso dizer que esse não é o meu caso, e nem o caso das pessoas que eu conheço. Na verdade, essa é a exceção e não a regra.

Seguem então alguns dos motivos que podem levar as pessoas a tentar a vida em outro país (e por favor, fiquem a vontade para complementar!):

- Oportunidade profissional
- Qualidade de vida
- Experiência internacional
- Estudo
- Motivo pessoal (traumas sofridos, inconformismo, saco cheio)
- Casamento
- Conseguir uma outra nacionalidade
- Segurança
- Aventura

É claro que para se conseguir algo, tem que se abrir mão de alguma coisa também. Nada vem de graça e não podemos ter tudo na vida.

Então qual é o preço que se paga para morar fora do Brasil? O maior preço que pagamos é, sem dúvida, a saudade.

Saudade da família, dos amigos, da comida, da cultura, da alegria, da nossa identidade.  E é por isso, que não perdemos eventos brasileiros que acontecem no estrangeiro, pois é a chance de entrar em contato com a nossa cultura novamente e matar um pouquinho dessa saudade...

Não tem nada a ver com arrependimento.

Outra coisa, ninguém mora fora do Brasil em constante sofrimento. Se estiver ruim, é para o Brasil que vamos pensar em voltar. Se estamos vivendo fora, é porque está, pelo menos, mais para bom do que para ruim.

Vou citar um outro ponto interessante com relação a voltar para o Brasil depois de ter morado um tempo fora e quem passou por isso e voltou para a pátria vai entender muito bem.

Na verdade, não se volta de verdade para o Brasil de antes, aquele imaginado, aquele que você deixou, aquele em que você passou férias...

Volta-se sim para um tempo X do futuro.

Fica sempre um lapso em aberto do tempo em que a pessoa ficou fora.

Os assuntos são outros, seus amigos já arrumaram outros amigos, a vida continuou e você não estava lá e as experiências que você viveu são só suas, ninguém quer muito saber o que você fez...

É sim, com certeza, um recomeço. Fazer novas amizades, se adequar, enfim, passar novamente por todo um processo de adaptação e realocação. Você muda muito como pessoa, e não é todo mundo que te entende e que te acompanha.

Menciono isso, pois eu não tinha a menor idéia de que iria ser assim quando voltei do Canadá, e foi uma decepção enorme.Talvez, lá no fundo, esse tenha sido um dos motivos que me levou a sair do Brasil de novo...

Hoje em dia, já sei melhor o que me espera se um dia voltar... A decisão vai ser mais consciente. Se vai ser mais fácil? Olha, eu realmente não sei, talvez seja até mais difícil...Vamos ver.

Mas voltando ao assunto inicial, eu vou mesmo aos eventos brasileiros, e eu amo morar aqui, mas o Brasil é minha mãe e qualquer dia eu apareço...

Por enquanto, aqui está muito bom e é aqui que eu quero ficar...

Bem, pelo menos... até amanhã : )

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Matando as Saudades da Nossa Culinária

No último fim de semana, tive a alegria de ir não só à uma, mas à duas festas juninas aqui em Sydney. Uma aconteceu na casa de amigos (com direito a quadrilha e corrida de saco!) e a outra, foi organizada pelo BRACCA (Conselho da Comunidade Brasileira na Austrália).

Entre tantas delícias culinárias, ficou até difícil escolher o que comer nesses dois dias. E para quem vive fora do Brasil há mais de sete anos, comer canjica, arroz doce, sagú, biscoito de polvilho, paçoca, coxinha, brigadeiro, entre outras maravilhas, num mesmo fim de semana, é luxo puro! Juntando a gravidez mais os anos fora, eventos gastronômicos como este, não podem ser recusados!

Aliás, o Bracca organiza todo ano duas festas brasileiras grandes aqui em Sydney: a festa junina e o Ritmo Brazilian Festival, que acontece em setembro. Para quem está longe de casa, é sempre uma opção para entrar reviver um pouco da nossa cultura.

Segue o site do Bracca para maiores informações: http://www.bracca.org/pt/home

 Para os curiosos, posto uma foto minha de grávida caipira.

Falando em gravidez, já completei sete meses de gestação e posso dizer que o tempo está voando, não dá nem para acreditar. A barriga cresce que é uma beleza, aliás, exibo a danada com orgulho, afinal, a única fase em que é lindo mulher ter barriga é durante a gravidez, não é mesmo?

E embora eu tenha gostado muito desse fim de semana e dessa comilança toda, quem mais gostou de tudo isso, com certeza foi a Julia (esse vai ser o nome da pequena)! Gulosa que só ela, não sei para quem ela puxou... Não sei mesmo ; )